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Trabalhar demais pode dar demissão

Quan,25de Janeiro de 2012

fonte:Oglobo

Chegar sempre fora de hora, não cumprir as tarefas determinadas pelo chefe ou apresentar comportamento antiprofissional são motivos para uma demissão. Agora, adicione mais este à lista: trabalhar durante o horário de almoço. É o que mostra artigo de Josh Sanburn, publicado no site Time Moneyland. O jornalista dá como exemplo o caso de Sharon Smiley, recepcionista e assistente administrativa de uma empresa estatal de Chicago, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2010, o prazo para ela terminar um projeto estava estourando. Então, Sharon decidiu ”beliscar um lanchinho” em sua mesa de trabalho, enquanto usava a hora de almoço para concluir o trabalho. Um gerente da empresa, que não era seu chefe imediato, disse que ela deveria deixar sua mesa e ir almoçar fora dali. Sharon não lhe deu atenção e continuou trabalhando. Resultado? Foi demitida.

É que, pelas normas da empresa, todos os funcionários têm de dar uma pausa para o almoço de pelo menos 30 minutos. A situação se complicou pelo fato de Sharon ser recepcionista e, portanto, se sentar no hall de entrada da empresa. Para os gerentes, foi pouco profissional de sua parte comer na frente de clientes – ou potenciais clientes – que passavam pela porta principal. Ela não só perdeu o emprego, como também o direito de entrar com pedido de seguro-desemprego, já que foi demitida por justa causa. O caso foi parar na Justiça. Na semana passada, uma corte de apelações de Illinois (EUA) decidiu que Sharon não deveria ter ficado sem o seguro-desemprego, já que não tinha cometido falta grave.

O caso de Sharon traz à tona uma questão que poucas pessoas pensavam existir: a possibilidade de ser demitido por trabalhar demais. Numa época em que, devido à crise internacional, os empregadores estão deixando de contratar e tentam distribuir a maior quantidade de trabalho possível, não é de se estranhar que as organizações se sintam felizes por ter funcionários trabalhando durante o almoço.

Mas este tipo de problema já ocorreu antes, conta Sanburn. Em 2004, o New York Times fez uma reportagem sobre como os americanos estavam trabalhando além da hora, alguns sendo obrigados por seus gestores, para reduzir custos. Irritados por estarem sendo forçados a trabalhar mais pelo mesmo salário, eles começaram a processar as empresas e a vencer as ações. A T-Mobile, por exemplo, teve de pagar milhões de indenização depois que o Departamento de Trabalho revelou que a empresa de telefone sem fio forçou 20.500 funcionários de call centers a atuarem fora do horário.


NOTÍCIAS

Desemprego está no pior nível, diz a OIT

ter, 24 de jan/2012
FONTE: O Estado de S.Paulo
Até 2020, 600 milhões de empregos têm de ser criados para equilibrar o mercado

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE

Entrando no quarto ano, a crise econômica põe o mundo à beira de uma explosão social que exigirá um plano de resgate trilionário para ser superada. Dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho apontam que a crise do desemprego é a pior já registrada e a economia mundial terá de criar 600 milhões de postos de trabalho até 2020 para inserir os que hoje estão desempregados e ainda incorporar milhões de jovens que entrarão no mercado produtivo.
A estimativa é de que os governos terão de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – US$ 1,2 trilhão – para criar os postos de trabalho eliminados e ainda dar uma resposta à nova geração de trabalhadores. Além disso, a recessão que eclodiu em 2008 exigirá uma década para ser superada.

Desde 2007, 27 milhões de pessoas perderam o trabalho, fazendo o número global de desempregados atingir o recorde de 197 milhões de pessoas, uma alta de 13% em poucos anos.

Metade dessa massa de desempregados está nos países ricos e a taxa média mundial de desemprego passou de 5,5% para 6,2%. Na América Latina, 3 milhões de pessoas foram demitidas nos dois primeiros anos da crise, fazendo a taxa subir de 7,0% para 7,7%. Em 2010 e 2011, porém, o índice caiu para 7,2%.

A esperança era de que, a partir de 2011, a economia mundial voltasse a crescer e começasse a gerar postos de trabalho. Mas o ano terminou com um resultado frágil. Nos países ricos, mais de 2 milhões de pessoas foram demitidas, o que foi compensado pela expansão nos mercados emergentes.

Neste ano, desaceleração da economia mundial fará com que pelo menos outros 3 milhões fiquem desempregados. O número, porém, poderá ser ainda maior se a Europa não der uma solução para sua crise da dívida e a própria OIT já admite que o ano verá a eliminação de 6 milhões de postos de trabalho e outros 5 milhões em 2013, metade na Europa. “Tudo indica que o desemprego continuará a crescer”, alertou Jose Manuel Salazar, diretor executivo da OIT.

Na Europa, 45 milhões de pessoas estão sem trabalho. Um terço já busca emprego por mais de um ano. Na melhor das hipóteses, a taxa de desemprego que bateu 8,8% em 2010 será reduzida para 7,7% em 2016. Mas, ainda assim, estará acima dos 6,1% de 2008.

A tarefa só ficará mais complicada nos próximos anos. Além de dar uma solução aos 200 milhões de desempregados, o mundo verá uma explosão da oferta de mão de obra, com a chegada ao mercado de 400 milhões de novos trabalhadores. Nos países emergentes, a expansão demográfica será a principal responsável. Sem uma resposta, governos poderão registrar protestos, explosão social e violência.

Esse “caldo” já começa a ser fermentado diante das dificuldades em encontrar trabalho. Hoje, 29 milhões de pessoas pelo mundo já abandonaram a busca por um emprego diante da falta de oferta. Se esse contingente fosse somado ao total de desempregados, o número chegaria a 225 milhões de pessoas e a taxa do desemprego passaria de 6% para 7%.

Outro fator é o desemprego recorde entre jovens. O número absoluto chega a 74 milhões de pessoas, 4 milhões a mais em relação a 2007. Em alguns países europeus, metade desses jovens não encontra trabalho.

Década perdida. Se a crise continuar, a previsão é de que em 2016 haverá mais 9 milhões de desempregado. Na OIT, a percepção é de que os pacotes de austeridade que se proliferam para dar uma resposta à crise da dívida estão deteriorando ainda mais a situação. Em 2013, portanto, o desemprego pode bater recorde na Europa, com uma taxa de 9%, acima dos 8,8% de 2010.

Para a OIT, não há dúvidas de que os planos adotados por governos para lidar com a crise não estão gerando empregos. A entidade, portanto, pede investimentos e que criação de postos de trabalho esteja entre as prioridades. “Sair ou não da crise vai depender da criação de postos de trabalho”, alertou Juan Somavia, diretor da OIT.